recanto de amonteny
Comentem..., Escrevam qualquer coisa, com ou sem jeito...
A QUE TORMENTO A VIDA ME REDUZ AMOR... QUE OBSCURO O CLARO SOL ME PRENDE E NO MEU PEITO AO RENASCER ACENDE MAIOR DESEJO DA PERDIDA LUZ!
A visita!
O fim da Pobreza e da Miséria é uma exigência ética, moral e social mais que justa e imprescindível. Que ninguém tenha qualquer dúvida: Sem a erradicação da pobreza e da miséria no Mundo a sociedade humana caminhará inelutavelmente para a violência e a insegurança extremadas. Não se trata de futurologia ou premonição, mas apenas de um diagnóstico social que receio estar certo. Já o disse e escrevi repetidamente: se não acabarmos com essa grande vergonha mundial, mas também nacional, seremos todos responsáveis pelo advir funesto de graves problemas cujos sinais, já são mais que visíveis: Nada poderá impedir que os famintos se atirem contra as barreiras de arame farpado, de minas ou demetralhadoras que supostamente defendem a nossa fortaleza evitando que eles se sentem à nossa mesa tantas vezes farta de proteccionismo, de subsídios agrícolas que aniquilam povos esquecidos e nos enfermam numa obscena e mortal obesidade. Os famintos encontrarão, como sempre encontraram na História da Humanidade, líderes para os guiarem nessa caminhada de sofrimento... Tal como no passado, nada poderá impedir a caminhada, o êxodo, de milhões e milhões de pessoas para uma visão do Eldorado que eles fazem do nosso mundo, quando comparado com o seu miserável quotidiano. Para quem conhece um pouco de História, sabe perfeitamente como acabou o decadente e farto, de orgias e de vómitos, o Império Romano... E a Europa está bloqueada por líderes incompetentes e insensíveis escudados na sua visão ultraliberal autista, absolutista e em manifesta falência, preparada para impedir, com acções decisivas, inteligentes e humanistas, que tal aconteça? Tal exigiria uma mudança radical dos seus líderes, do seu discurso e sobretudo da sua acção. Sinceramente duvido. E mais..., temo muito que já seja tarde. Acontecimentos violentos e incontroláveis como os observados em Melila, motivados pelo desespero total, contribuirão para que a Europa reforce a sua vertente securitária, agora contra os famintos que em breve talvez sejam apelidados de terroristas e se feche na sua torre de marfim fazendo a política da avestruz como tem feito até hoje: sem nenhum rasto e nenhuma ousadia criativa. Tal autismo, quanto a mim, não augura nada de bom. Alguns pensarão: mais um Velho do Restelo! Enganam-se redondamente. Contrariamente ao que muitos "opinion makers" dizem, quantas vezes sustentados apenas por conhecimentos desfocados puramente livrescos e teóricos, nutridos por discussões de café tão ociosas quanto vácuas e desfocadas. O que eu digo é sustentado no que observo com preocupação e tristeza nas sete partidas do Mundo, há quase três décadas. Não há mais tempo a perder. Como cidadãos globais que queremos e devemos ser, nós Portugueses, mais do que ninguém, temos que exigir que os objectivos do Milénio sejam atingidos em 2015, como prometeram os governantes do mundo inteiro, na Cimeira do Milénio das Nações Unidas, em Nova Iorque, no ano 2000. Não podemos permitir nenhuma escapatória ou desculpa: se há dinheiro, muitas centenas de biliões de dólares ou euros, para corromper governos, comprar armas e financiar todas as guerras, mesmo as mais espúrias como a do Iraque, também tem que haver meios para se acabar com essa vergonha imunda, a Pobreza, a Fome, a Humilhação silenciosa e ensurdecedora dos miseráveis que estou cansado de encontrar pelo Mundo. Mas também no nosso país. Não tolero vê-los morrer como moscas, à fome, tiros ou doenças esquecidas, sem um grito porque esmagados por uma, quanto a mim, inaceitável fatalidade. É uma questão de decência. É um imperativo de consciência. Tem de ser a Causa Mundial, tal deve ser também a nossa Causa Nacional. Para alguns estarei a ser, talvez, politicamente incorrecto e ainda bem!Entendo que ao ponto em que a nossa sociedade humana chegou é imperioso gritar, mesmo se forem só gritinhos de rato, e tentarmos ser sobretudo e apenas humanamente correctos. É tão só isso que me move: doa a quem doer. Também me dói a mim ver o que vejo, viver o que vivo... Grito em nome dos famintos e dos miseráveis silenciados e sem voz com quem me cruzo, quantas vezes impotente, há tanto tempo e em todos os continentes. O tempo das palavras terminou. Eis chegado o momento das grandes opções e da acção. Pretendo, com todos vós, filhos do mesmo e único Deus, contribuir com uma microgota para a necessária mudança da nossa Humanidade. Acabar com a Pobreza e a Miséria, também entre nós, é imperioso, é inalienável: é simplesmente uma questão de inteligência, de humanismo. Só assim poderemos continuar em Democracia, em Paz e em Segurança.